Vereadores retiram moção de repúdio após Apeoesp reconhecer erro em cartaz

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Plenário da Câmara ficou lotado para discussão das matérias do dia; (Foto: Assessoria/Câmara)
Plenário da Câmara ficou lotado para discussão das matérias do dia; (Foto: Assessoria/Câmara)

A Câmara de Vereadores de São Pedro lotou nesta segunda-feira (17). Além da votação do projeto que proibia fogos de artifício, outro tema polêmico ganhou a tribuna: uma moção de repúdio endereçada ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

A moção foi encabeçada pelo vereador Du Sorocaba (PSB) depois que a Apeoesp divulgou em seu site uma pauta de temas a serem debatidos em assembleia estadual que incluía posição contrária à execução do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) nas escolas. Um vídeo também chegou a ser veiculado pela Apeoesp reforçando os temas que seriam tratados na assembleia, mas ambos foram retificados pelo sindicato.

Depois de manifestar-se nas redes sociais e angariar apoio político na região – Piracicaba também propôs e aprovou uma moção de repúdio sobre o mesmo tema – Du Sorocaba deu entrada na Câmara de São Pedro à moção de repúdio.

À esquerda, o primeiro folheto divulgado. À direita, o folheto já corrigido;
À esquerda, o primeiro folheto contendo: “Luta contra o Proerd nas escolas”. À direita, a arte já corrigida;

Na Câmara, porém, o presidente em exercício da Apeoesp, Fábio Moraes, admitiu que houve uma falha na confecção do material e que uma sindicância foi aberta para saber como essas informações equivocadas teriam sido veiculadas em vídeo e cartaz.

Presidente em exercício da Apeoesp, Fábio Moraes, na Câmara de São Pedro; (Foto: AI)
Presidente em exercício da Apeoesp, Fábio Moraes, na Câmara de São Pedro; (Foto: AI)

“Não sou contra o Proerd e não iremos discutir no dia 21 [data da próxima assembleia] qualquer assunto relacionado ao programa. Houve uma falha, obviamente. Não consta sequer na nossa ata esse posicionamento contra o Proerd”, disse Moraes.

O presidente em exercício afirmou ainda que o erro pode ter vindo de “alguém de outra força política”, e que “isso jamais iria a voto em assembleia”.

Moraes também se prontificou a enviar para os parlamentares e demais Casas do Legislativo no estado a ata da reunião que, segundo ele, não consta nenhuma menção ou pauta que coloque em risco o funcionamento do programa de resistência às drogas e violência.

Vereador de São Pedro, Du Sorocaba;
Vereador de São Pedro, Du Sorocaba;

Du Sorocaba ressaltou o programa de combate às drogas nas escolas e disse que o esforço valeu a pena. Também lembrou que o Proerd é importante vetor de constituição de caráter do cidadão.

“Senão tivéssemos feito esta moção, eles não teriam reconhecido [o erro]. Viram a força que o Proerd tem, o trabalho da Polícia Militar junto aos alunos. Em Piracicaba a moção foi aprovada por unanimidade.”

Vereadores se manifestam

A moção de repúdio foi discutida por mais de hora em plenário. O vereador Robinho Pedrosa (PSL) propôs a retirada do texto. “Já que houve o esclarecimento, melhor retirar. Mas que todos saibam que qualquer movimento contra o Proerd será questionado por esta Casa de Leis.”

Adriano Vitor (SD) também se posicionou a favor do Proerd, mas considerou correta a posição adotada pelo presidente da Apeoesp. “Também defendo os interesses do Proerd, que muito ajuda a população.”

Luiz Melado (PSDB) disse que esperava um contato dos vereadores junto à Apeoesp antes de ser feita a moção. “Isso poderia ter sido resolvido com um telefonema. Acredito que mais câmaras municipais assim fizeram.”

Já Cássio Capellari (DEM) e Elias Candeias (PP) divergiram sobre uma suposta influência política, já que Fábio Moraes está substituindo a Professora Bebel – candidata a deputada estadual pelo PT – na presidência do sindicato.

“Não tem motivação política nenhuma. Não há o intuito de prejudicar ninguém. Foi algo que apareceu no próprio site da Apeoesp. Houve uma falha, ela existiu. O Proerd não deve sair das escolas, e se a Apeoesp não tem essa intenção, para mim basta”, disse Capellari.

Elias Candeias, porém, retrucou: “Tem cunho político sim. Houve até o posicionamento numa rede social se referindo ‘à esquerda medíocre’. A situação foi retratada como devia, o presidente está aqui pessoalmente para deixar claro. Era só ter consultado a Apeoesp antes. Para mim soa como oportuno.”

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